terça-feira, 17 de março de 2026

O Bardo de Elgalor (regras para D&D 3e)

Saudações, guerreiros da Luz.

Na história de D&D, creio que há poucas classes que geram tanto debate quanto a classe Bardo. É uma classe ao mesmo tempo muito querida e muito ridicularizada dentro dos meios de RPG.  Apesar de ter sido uma classe bastante eficiente na época do AD&D, da 3ª edição em diante ela se tornou uma classe que para funcionar bem precisava de muita criatividade e engenhosidade por parte do jogador e muita benevolência e apoio por parte do mestre. Sem isso, o personagem infelizmente se sentia uma espécie de “estepe” do grupo.

Da 3ª edição em diante, o bardo se tornou o “faz tudo supremo”, mas como tal, pagando o preço de não ser realmente bom em nada, tendo sua utilidade diretamente atrelada a prestar apoio ao grupo. Como a maioria dos grupos já constatou, em um grupo composto por um guerreiro, um mago, um clérigo e um ladino, é mais normalmente considerado mais eficiente ter mais um membro de uma dessas classes do que um bardo, mesmo considerando seus talentos únicos. Diversos ajustes oficiais foram feitos para tentar resolver o problema, mas sem sucesso (como ocorre também com o monge de D&D 3e). O melhor que tivemos nesse sentido foi a reformulação da classe feita por Mont Cook, que Gronark compartilhou anos atrás, e que ficou realmente muito boa, mas totalmente fora daquilo que o Livro do Jogador trazia.

Diante disso, o que compartilharei aqui é um pequeno ajuste que fiz em meus anos de D&D 3e que melhorou muito a condição da classe em termos de efetividade, de forma simples e sem recorrer a classes especiais ou de prestígio, coisas que optamos por não usar em minha antiga mesa:

1) Melhora da habilidade Conhecimento de Bardo

Essa habilidade que não existia de forma clara e formal no AD&D é extremamente útil quando consegue ser usada. Dessa forma, o ajuste consiste simplesmente em expandir sua atuação e aumentar as chances de sucesso. O que fiz nesse contexto foi conferir a todos os bardos um bônus de +3 no uso da habilidade; isso faz com que os bônus que o bardo possui nela sejam iguais aos de uma perícia treinada, aumentando a chance de sucesso especialmente em níveis mais baixos. Outro ponto foi que ela poderia ser usada, sem penalidade, com substituição de qualquer tipo de perícia de conhecimento (arcano, religioso, natureza...).

2) Lista de Magias

Na época do AD&D, as magias do bardo eram as mesmas da lista do mago, o que tornava a classe extremamente eficiente; ele não tinha acesso aos círculos mais altos de magia e nem conhecia tantas magias quanto um mago, mas era bem mais resistente, o que fazia dele uma espécie de “guerreiro mago” com algumas habilidades do grupo dos Ladrões, bastante interessante em termos mecânicos. A alteração aqui consiste em trazer de volta a lista de magias de magos para a classe. O bardo perderia as magias de cura, mas teria acesso a magias arcanas poderosas como bola de fogo, relâmpago, muralha de fogo entre outras. E com investimento na perícia Usar Instrumentos Mágicos, ele poderia continuar usando pergaminhos, varinhas e cajados de cura.

São duas mudanças simples, mas com efeitos profundos, especialmente a troca de lista de magias. Em D&D 5e, isso também poderia ser adaptado conferindo ao bardo a habilidade Conhecimento de Bardo e no caso das magias, permitir ao bardo que escolha cantrips da lista de magias do mago. Alterar a lista inteira aqui não seria viável porque o bardo da 5ª edição consegue conjurar magias de até 9º nível.

Eu nunca joguei com um bardo, mas para mim, é uma classe muito interessante e extremamente importante em termos de world building em qualquer cenário de campanha. O próprio mundo de Elgalor não existiria como o conhecemos sem a existência de bardos. A personagem favorita de minha esposa foi uma barda meio elfa, e me lembro de um bardo anão muito interessante que Gronark criou anos atrás. Caso alguém esteja jogando D&D 3e (ou mesmo 5e) e deseje tornar a classe menos dependente do papel se suporte, mas sem depender de classes de prestígio e reformulações completas, posso atestar que esses dois ajustes realmente ajudam bastante.

4 comentários:

  1. Gronark, o Senhor do "Amor"19 de março de 2026 às 12:38

    Os bardos já foram atualizados para os tempos modernos, caolho! Esqueça seres retrógados como Taliesin (dos Contos Arthurianos), Thom Merrilin (da Roda do Tempo), Rhapsody (da série Symphony of Ages), Kvothe (da Crônica do Matador do Rei), Fflewddur Fflam (das Crônicas de Prydain), Astreya, Jake Evermore, Lenora, Frigga e Mormund. Agora todos os bardos são cópias de Scanlan ou popstars modernos cheios de vícios, egoísmo, depravações e baixaria, não acredita? Só olhar as artes horrendas dos bardos no novo livro do verdadeiro D&D. É isso que os novos jogadores anseiam e desejam interpretar. Abrace a modernidade e use o novo bardo, que assim como todas as demais classes, podem fazer tudo, já que não passam de meios que os jogadores usam para praticar todo tipo de horror já que o RPG deixou de ser um jogo de aventuras e se tornou um exercício de reafirmação de gênero e identidade. Abrace os novos bardos do “amor” que praticamente são funkeiros degenerados, HAHAHAHAHAHA

    https://static0.thegamerimages.com/wordpress/wp-content/uploads/wm/2024/10/dungeons-dragons-2024-player-s-handbook-bard-art-by-mike-pape-evyn-fong-and-hocheol-ryu.jpg?w=1600&h=900&fit=crop

    https://www.wargamer.com/wp-content/sites/wargamer/2025/02/dnd-moon-bard-dull-4-550x309.jpg

    https://static.wikia.nocookie.net/the-world-of-valkara/images/3/3b/03-022.college-of-dance.png/revision/latest?cb=20240912191021


    [Se tem uma classe que sempre “complicada” na concepção foi o bardo, pois a ideia da classe não correspondia ao que ela era no jogo. Porque ele é uma espécie de “pato”, que faz de tudo um pouco, mas não faz coisa alguma bem. Sem falar que ele não tem quase nada exclusivo dele que o distingue dos outros, sendo que um mago ou um clérigo inteligente consegue igualar ou superar o Conhecimento de Bardo. Já os bônus de Musica de Bardo praticamente podem ser substituídas com algumas magias de clérigo além e que a classe Marshal consegue dar bônus melhores com suas auras e elas não tem limites de uso diário como as canções do bardo. Na verdade, rende mais ter um Marshal como 5º personagem porque ele consegue dar um “bost” em todos do grupo, além de ser um lutador melhor e ainda servir como “face” do grupo.

    https://srd.dndtools.org/srd/classes/baseMh/marshal.html

    Uma coisa que o bardo do Monte Cook realmente supera o do 3.5 é que ele realmente ganha algo dele mesmo. A ideia do conceito da classe de que “a magia deles vem de suas canções” e por isso eles tem até uma mecânica de “magia” diferente de magos, clérigos feiticeiros e etc. Tanto que nos nossos jogos, a gente adaptou muito da lore dos Greybeards de Skyrim e a ideia do poder da “Voz” pra ser a fonte do poder por trás das canções mágicas dos bardos. Isso é bom poque não é nem magia divina, nem arcana (o que resolve a bizarrice de um conjurador arcano que cura) e nem psionismo, mas sim um poder “similar a magia” único deles. Sem falar que a gente colocou dado de vida D8 e liberou poder usar armaduras médias e escudos, daí eles realmente podem ajudar as classes combatentes na luta.]

    https://www.4shared.com/office/ORB-nZPAce/The_Complete_Book_Of_Eldritch_.html

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    1. Como se não bastassem seus "paladinos" depravados e seus "clérigos" ateus, sua corja desejava ir mais fundo na corrupção, e decidiu apodrecer até mesmo a classe mais inofensiva de todas. Para o Abismo com suas "atualizações", demônio!

      (Sobre o bardo, concordo plenamente com você. É um personagem interessante, históricamente relevante mas que em termos mecânicos, nunca funcionou em D&D 3 ou mesmo D&D 5. Sempre havia alguém que fazia algo melhor do que ele, até mesmo no campo social, já que clérigos e paladinos são muito mais confiáveis aos olhos do público do que um bardo.

      Eu não conhecia o Marshal, e realmente, ele é muito mais útil do que um bardo em situações de combate. O bardo de Mont Cook, que também conheci por meio de você, eu achei fantástico, porque, como disse, ele agrega algo verdadeiramente único ao bardo, passando aquele clima de Skyrim de forma apropriada para uma mesa de jogo, e conferindo um "skald" muito superior do que o de D&D 5e jamais seria capaz de ser.

      E obrigado por compatilhar os links, desta vez, estou os salvando para não perder novamente).

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  2. Muito bom, eu gosto muito dessa classe (como o nome do meu blog já diz). Eu sempre achei interessante o acesso Às magias arcanas e algumas habilidades de ladrão/ladino - podemos dizer que o bardo de AD&D é como se fosse o "mago vermelho" do Final Fantasy 1 (uma classe que eu também gostava muito de jogar e sempre tinha 1 no meu time - e sei que não é muito bem vista pelos jogadores "hardcore" de FF). Mesmo sem ter acesso às magias, eu acho que o bardo é aquele personagem importante para o roleplay: por precisar ser um personagem talentoso e bom de lábia, de improviso, etc. ele é o cara que vai convencer um guarda a abrir o portão da cidade à noite, ou a deixar o grupo visitar um prisioneiro numa masmorra, ou o que vai convencer o rei / ministro / bispo / etc a aumentar a recompensa, ou a uma patrulha a não prender os personagens dos jogadores quando eles são pegos numa briga de taverna, e por aí vai. Pode surgir uma situação do tipo "Bilbo vs Gollum" e o bardo ser necessário para derrotar um inimigo em uma disputa de charadas, de rimas, etc. O problema é que a maioria dos jogadores não interpreta personagens: interpreta a si mesmos fantasiados de personagens.

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    1. Concordo plenamente, nobre bardo.

      Interessante a comparação entre o bardo com o red mage de FF. Realmente, faz muito sentido, e era um personagem do qual eu também gostava. A combinação magias arcanas/habilidades ladinas é formudável nas mãos corretas. Você citou com precisão momentos de utilidade máxima do bardo; situações como Bilbo vs Gollum e até mesmo Bilbo vs Smaug refletem como essa classe pode fazer a diferença.

      Mas, como bem disse, o problema é que a maioria dos jogadores não interpreta personagens: interpreta a si mesmos fantasiados de personagens.

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