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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Heróis de Elgalor: Hargor Martelo de Mitral

Hargor Martelo de Mitral
(Clérigo, nível 18)

Raça: Anão

Alinhamento: Leal e Bom

Hargor é um clérigo guerreiro veterano de muitas batalhas, oriundo de um dos Sete Grandes Clãs dos anões, o clã Martelo de Mitral. Apesar de não ser um clã conhecido por exercer liderança direta em termos políticos ou militares, ele é extremamente respeitado por ser um clã extremamente religioso e devoto a Moradin, e por produzir os melhores ferreiros da raça. Quando jovem, ele serviu por vinte anos no exército de Darakar, o Grande Reino dos Anões, como um Martelo de Moradin (forma como clérigos de batalha são chamados nessa cultura). Todos esses anos de treino e serviço moldaram Hargor em um soldado extremamente disciplinado e com uma vontade de ferro, virtudes que ele empregava orgulhosamente a serviço de seu clã, seu povo e seu rei. Sábio e pragmático, Hargor atingiu o posto de major no exército e fora de tempos de guerra, era alocado para o treinamento de recrutas, como pede a tradição da raça, que estabelece que os primeiros anos de formação do soldado sejam supervisionados por um clérigo da batalha).

Como a maioria dos anões, Hargor personifica os valores da honra, tradição e lealdade. Mas apesar de estoico e exigente, ele é dotado de grande paciência e principalmente empatia por aqueles que buscam se tornar melhores por meio do esforço e disciplina. Isso o tornou um professor bastante eficiente durante o serviço militar, mas foi o fator decisivo para que, durante crises maiores que pediam pela aliança com outros povos, o rei Balderk o convocasse como representante da raça.

Foi dessa forma que quando o Senhor dos Ventos foi até cada rei de Elgalor pedindo por um representante para lidar com uma grande sombra que ameaçava cobrir o mundo, Hargor Martelo de Mitral foi escolhido para representar os anões em um grupo composto por membros de todas as raças dos chamados Povos Livres.

Nos anos em que lutou ao lado de seus companheiros Astreya (barda meio elfa), Aramil (mago elfo dourado), Oyama (monge humano), Erol (ranger alfo dourado), Bulma (bárbara meio orc) e Siegfried (cavaleiro humano), Hargor era considerado a rocha moral e figura de referência do grupo em casos que pediam tanto por sabedoria quanto pensamento estratégico. Apesar de severo e rígido em relação a tudo que considerava leviano e nocivo (incluindo indisciplina), ele demonstrava preocupação genuína com a vida e segurança de seus companheiros, da mesma forma que fazia com os recrutas que treinava. Ele tinha imensa dificuldade para lidar com a impulsividade de Bulma e Oyama em situações de batalha e principalmente com o excentricíssimo de Aramil, mas procurava lidar com isso da forma mais calma possível, lembrando a si mesmo que ele não estava lidando com anões. 

Seus companheiros reconheciam esse esforço, de modo que todos, com exceção do mago, também tentavam seu máximo para seguir as orientações do clérigo; não para não desagradá-lo ou por temor, mas porque confiavam na sabedoria e discernimento daquele que sempre se lançava junto aos guerreiros na linha de frente, ao mesmo tempo em que curava e protegia a todos até o limite de suas forças. Raramente Hargor falava ao grupo sobre a doutrina de Moradin. Mas em cada uma de suas ações, ele buscava personificar os valores de seu deus; disciplina, coragem, lealdade, justiça e trabalho duro. Tanto que, ao final de sua missão, Oyama, que se tornará um de seus melhores amigos, se converteu a Moradin mesmo sendo um humano, erguendo grande um altar do Pai dos Anões em seu templo de treinamento marcial.

Nota: Este personagem foi um NPC introduzido no jogo porque o grupo realmente precisava de um clérigo já que não havia nenhum entre os personagens jogadores. Sempre tomei o cuidado para não interpretá-lo como "meu personagem", e fiquei surpreso em ver que com o tempo, ele era tratado como  se fosse um personagem jogador pelos demais. Tanto que depois dessa campanha, o monge Oyama teve um filho com uma celestial serva de Kord, e fez questão de pedir que Hargor o batizasse no templo de Moradin em Darakar. Mais do que isso, Oyama ainda deu a seu filho o nome de Hargor. Para mim, esse tipo de "legado" que vai sendo construído naturalmente pelos jogadores é o que mais faz o RPG vale à pena e se destacar de outros tipos de jogos.

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Heróis de Elgalor: Dwalin Ironwolf

Dwarven Ironwolf (Bárbaro, nível 13)
Raça: Anão
Tendência: Leal e Neutro

Dwalin Ironwolf era um guerreiro nascido e treinado na cidade fortaleza de Thoraddar, localizada na porção sul de Elgalor, e, portanto, bastante longe de Darakar, o reino dos anões. Fiel devoto de Moradin, e principalmente, de Clanggedin Silverbeard, Dwalin fazia parte do exército da cidade, ocupando o posto de capitão, liderando o batalhão do qual fazia parte seus dois filhos. Thoraddar foi construída em uma montanha rica em mitral, mas a região que a rodeava era erma, e bastante hostil. Por isso, conflitos contra tribos de orcs eram constantes.

No momento em que um clérigo orc chamado Urük Olho Sangrento conseguiu consolidar seu domínio sobre as cinco maiores tribos de orcs da região, a cidadela foi sitiada por quarenta dias. Durante a última batalha, que praticamente destruiu Thoradar, Uruk foi morto, e sem a liderança do clérigo, o que restara de seus exércitos acabou sendo rompido por conta de brigas internas pela liderança.

Essa divisão interna fez com que muitos orcs abandonassem o campo de batalha, enquanto outros caíram perante os machados dos anões que defendiam sua morada com as últimas forças. Ao final do cerco, não havia um lado vencedor.

Neste último confronto, os dois filhos de Dwalin caíram em batalha, mas ele, por um milagre (ou maldição) dos deuses, conseguiu sobreviver, mesmo estando mortalmente ferido. Na ocasião, ele foi trazido de volta por seus companheiros, mas ao saber do destino de seus filhos, foi atormentado por uma culpa e fúria avassaladora. Ele deixou a cidadela e decidiu encontrar seu fim em batalha, matando o maior número de orcs que pudesse neste meio tempo. Furioso também consigo mesmo por sua falha em proteger seus filhos, ele abandonou a armadura e decidiu que sua única proteção daquele dia em diante seria seu ódio. 

Após algumas semanas vagando e caçando orcs, ele eventualmente se lançou contra um bando de guerra das criaturas, e foi derrotado. Pouco antes dos orcs arrancarem sua cabeça, dois lobos espectrais surgiram, atacando ferozmente os monstros. Dwalin se levantou e lutou ao lado dos lobos, e graças a eles, os orcs foram eliminados. Ferido e delirando, Dwalin, em um instante de lucidez, pensou ter visto os olhos de seus filhos nos lobos pouco antes que desaparecessem logo após o término do massacre.

Essa experiência fez com que o anão conseguisse controlar e direcionar melhor sua fúria; ele manteria seu juramento, e destruiria todos os inimigos de seu povo que cruzassem seu caminho, antes que os malditos chegassem aos portões de uma fortaleza de seu povo, como ensinava Clanggedin. Mas agora, seu foco não estava mais em buscar a própria morte, mas sim, em honrar seus filhos no campo de batalha e lutar para que outros anões não precisassem velar suas crianças como ele precisara.

Dwalin sabia que eventualmente, morreria lutando, assim como seus filhos. Sua alma estava em paz com isso. Especialmente porque até que sua última batalha chegasse, ele garantiria o último dia de vida de muitos, muitos orcs”.

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

Heróis de Elgalor: Darion Dragonshield

 Darion Dragonshield (Paladino, nível 13)
Raça: Humano
Tendência: Leal e Bom

Darion passou boa parte de sua vida adulta como um mercenário e caçador de recompensas. Apesar de nunca realizar trabalhos de moral questionável, era aficionado por batalhas, e se envolvia em conflitos mesmo sob a menor provocação. Quando os contratos começaram a ficar mais escassos e menos lucrativos, ele aceitou temporariamente um trabalho como membro da guarda na cidade de Meribia. Seu temperamento belicoso e bebedeiras constantes fez com que não conseguisse progredir na carreira militar, mas como aceitava qualquer tipo de missão, acabou sendo tolerado.

Poucas semanas após sua entrada na guarda, começaram a surgir rumores de locais sagrados e outras tumbas sendo destruídas por todo o norte. O capitão da guarda de Meribia decidiu enviar um destacamento na ruína mais próxima à cidade, e Darion foi um dos escolhidos para investigar o local. Quando chegaram lá, já era noite. Ao revirar as pedras e escombros, começaram a ouvir ruídos macabros vindos da terra. Antes que pudessem sequer tirar completamente as espadas das bainhas, ghouls subiram mordendo e rasgando tudo o que havia pela frente. Pegos de surpresa e também apavorados com as terríveis criaturas, os soldados se defenderam de maneira precária, e foram, um a um, caindo vítimas dos ataques dos mortos-vivos.

Quando Darion foi atingido por uma garra perto da garganta, caiu ensanguentado no chão e viu seus companheiros também agonizando, pedindo desesperadamente que seus deuses acolhessem suas almas. Neste momento, Darion sentiu um forte vazio, que o deixou ainda mais assustado; ele obviamente acreditava na existência dos deuses, mas nunca se ligou a nenhum, e frequentemente ridicularizava pessoas crédulas e devotas. Desapontado consigo mesmo e com a forma como viveu sua vida, ele percebeu que a coragem de que tanto se gabava era completamente vazia, e se conformou com a ideia de que morreria sozinho, sem esperanças, e pior, completamente apavorado.

No momento em que os ghouls começaram a se abaixar para devorar suas vítimas indefesas, os soldados ouviram um forte estrondo e bater de asas. Darion olhou para cima, quase inconsciente, e viu um imenso dragão prateado descendo. Os olhos da majestosa criatura brilharam, e uma forte luz envolveu o local como um clarão. Quando Darion e seus companheiros, ainda agonizando, conseguiram abrir os olhos, os ghouls haviam virado pó, e diante deles, estava apenas o majestoso, porém, assustador, dragão. A nobre criatura fez um pequeno gesto com a cabeça, disse algo em um idioma que nenhum dos soldados conhecia, e subitamente, as feridas de todos começaram a se fechar. Atônitos, os soldados se ajoelharam, choraram e agradeceram a seus deuses pela chance de uma “segunda vida”, já que todos, sem exceção, já se consideravam condenados. O dragão parecia satisfeito em ter ajudado, mas nada disse. Ele permanecia imóvel.

Darion se levantou devagar, ainda tentando entender se aquilo realmente havia acontecido, e viu seus companheiros fazendo uma reverência de agradecimento ao dragão e voltando às pressas para a cidade. Em instantes, restavam apenas ele e a grande criatura.

- Uma experiência de quase morte é algo que nos faz questionar muito sobre nós mesmos, porque remove, de maneira brutal, o véu da ilusão que colocamos à frente de nossos olhos durante toda uma vida– falou finalmente o dragão, intrigado com atônito humano parado a sua frente - O que pretendes fazer agora, pequeno?

- Encontrar um caminho a seguir, e algo em que acreditar – disse ele por fim, tentando colocar as palavras em ordem.

O dragão esboçou algo que parecia um pequeno sorriso.

- Então, viajes comigo. Contarei a ti histórias sobre Bahamut e Seus ensinamentos, e talvez, encontres os que buscas...

Deste dia em diante, O Espada Negra morreu, e em seu lugar, surgiu o Escudo do Dragão. Darion começou uma longa jornada que o tornaria um homem completamente diferente; ele havia encontrado uma fé que não sabia que existia dentro de si, e com ela, uma razão pela qual lutar e a compreensão do que é a verdadeira coragem. Os erros de seu passado ainda voltariam para assombrá-lo, pois como seu mentor dracônico dizia, a vida não nos permite escapar de nada daquilo que fizemos, seja bom ou ruim. Todas as dívidas precisam ser pagas, da mesma forma que todas as dádivas, até o fim, serão retribuídas. Mas independente do que seu destino reservava, Darion aceitava com dignidade todas as pedras que surgiam em seu caminho, e se esforçava para ser um ponto de luz para todos aqueles cujas vidas ele tocaria".

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Heróis de Elgalor: Ashard, o Santo

Ashard, o Santo (Monge, nível 17)

Raça: Humano

Tendência: Leal e Bom

Ashard era o sultão de um dos vários principados que compõem o reino desértico de K’Mar. De sangue real e nascido em uma família extremamente rica, Ashard cresceu cercado de luxo e conforto. Desde muito jovem, recebeu a melhor educação possível, teve os melhores professores e como manda a tradição das Grandes Casas de K’Mar, ele como primogênito foi instruído desde cedo nos caminhos das Artes Dracônicas (nome dado em K’Mar para as Artes Marciais), se mostrando um adepto extremamente competente, não apenas por conta de seu físico poderoso, mas principalmente por causa de sua grande dedicação e disciplina.

À sua disposição, estava tudo aquilo que alguém poderia sonhar, mas quanto mais o tempo passava, mais Ashard sentia que algo estava muito errado. Ele era amado por seu povo da mesma forma como era amado pela sua família, mas por mais que tudo parecesse estar perfeito, ele não conseguia se sentir em paz. Até que após três dias de meditação ininterrupta, ele encontrou um vestígio da verdade: Não havia nada de errado na vida que o cercava. O problema era ele. Ele estava no lugar errado, e na “vida” errada.

Ciente de que não encontraria as respostas que buscava protegido pelas muralhas de seu palácio, Ashard sabia que precisaria sair. Mas ele era um homem de princípios, e sabia que não poderia simplesmente abandonar sua família e seu povo. Assim, durante um longo ano, ele se dedicou exclusivamente a “preparar” sua saída. Durante esse tempo, ele convenceu sua esposa e filhos da necessidade do ato (algo difícil, porque ele mesmo não compreendia o que precisaria fazer nem aquilo que buscava) e organizou o principado política e administrativamente para que pudesse ser governado por um conselho regente composto de clérigos e monges de sua extrema confiança. Eles governariam com honra e sabedoria, até que o filho mais velho de Ashard pudesse assumir a posição de Sultão. Passados os meses, e sem nenhum alarde, Ashard partiu rumo ao coração do deserto, deixando apenas um pequeno bilhete para trás, dizendo à sua família que voltaria um dia.

Ashard deixou seu reino carregando apenas uma muda de roupas e mantimentos para apenas um dia de viagem. Ele estava convencido que o Caminho se abriria à medida que uma intervenção maior se fizesse necessária. Durante sua peregrinação, ele escondeu sua identidade, e por meio de pequenos serviços e pedidos de esmola, sempre conseguia água e comida para mais um dia, já que hospitalidade e caridade são os dois valores mais sagrados da sociedade de K’Mar. Mas eventualmente, ele se viu no meio de uma pequena comunidade recentemente assaltada por bandidos. Neste momento, ele deixou o pouco de água e comida que possuía para ajudar a aliviar um pouco o sofrimento daquelas pessoas, e partiu, sem nada.

Após um dia viajando sem comer nem beber nada, Ashard caiu inconsciente nas areias do deserto. Em meio a seus delírios, ele viu a imagem de um dragão dourado, e se lembrou subitamente dos Katas que praticava nos seus dias de estudante das Artes Dracônicas. Semiconsciente, ele se levantou e começou a executar os movimentos. A fome e a sede foram lentamente sendo “apagadas” de seu corpo, mas foram substituídas pela urgência de encontrar algo maior, o Bem Supremo. Ashard se lembrou dos livros que lera sobre os Paraísos Escalonados de Celéstia e da busca de muitos pela sabedoria que aguarda aqueles que vivem conforme os princípios do Bem e da Ordem. Neste momento, ele percebeu que isso era o que faltara durante toda sua vida. A conexão com o Bem Supremo, que jamais poderia ser feita enquanto ele vivia sendo servido por todos.

Diante dessa epifania, Ashard reafirmou seu voto de pobreza, humildade e castidade, e reforçou seu compromisso em buscar a sabedoria e o Bem por meio do serviço. Ele retornou ao pequeno vilarejo onde esteve, e após obter as informações necessárias, descobriu para onde os bandidos se dirigiram. Novamente, partiu, e três dias depois, retornou com todos os bens e animais roubados. Quando as pessoas se ofereceram para recompensá-lo, ele terminantemente recusou. Permaneceu apenas o suficiente para fazer uma humilde refeição e partiu novamente, com apenas uma muda de roupa e mantimentos para um dia.

Anos se passaram, e Ashard viajou por praticamente todos os reinos de Elgalor, buscando ajudar todos aqueles que surgissem em seu caminho, fosse oferecendo conselhos e sabedoria, fosse neutralizando criaturas malignas com seu poder. Durante algum tempo, chegou até a se unir a um grupo de aventureiros que combateram um grande mal que surgiu quando o Rei dos Rakshasas surgiu dos Nove Infernos. Sua dedicação inquebrável a seus votos lhe trouxe cada vez mais perto do Bem Maior, e para a surpresa do monge, aquilo não aumentou apenas sua sabedoria. Sua vida de abnegação absoluta e dedicação ao Bem e à Ordem conferiram a ele poderes sobrenaturais que aprimoraram ainda mais suas já impressionantes habilidades de combate. E com humildade e devoção, Ashard continuou utilizando esse poder em defesa dos fracos e para combater o mal e a corrupção no mundo. Não como um rei, mas como um simples andarilho. Sua descomunal força física e espiritual com o tempo conferiram a ele a alcunha de “Ashard, o Santo”.

Nota: Este personagem foi feito utilizando regras de um livro muito interessante de D&D3, chamado Book of Exalted Deeds (A contraparte do Livro da Escuridão Perversa) que, entre outras coisas, traz regras para criação de personagens que fazem votos como o de Ashard, que incluem nunca carregar itens mágicos. Como compensação, o personagem adquire diversos poderes e habilidades interessantes. Este é uma das únicas concessões que fazia em relação ao uso de material fora dos livros básicos; quando o conceito trazido era realmente bom, e a questão central não era deixar o personagem mais poderoso, e sim, melhor caracterizado. Para Ashard, realmente caiu como uma luva.

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Heróis de Elgalor: Siegfried, o Cavaleiro Eterno

Siegfried, o Cavaleiro Eterno (Guerreiro, nível 17)

Raça: Humano

Tendência: Leal e Neutro

Siegfried construiu reputação no Santo Reino de Loregard como um mercenário honrado e bastante eficiente. Sua companhia, chamada Escudos Cinzentos, era famosa no reino, e com frequência atuava como um grupo paramilitar a serviço dos Patriarcas na captura e eliminação de cultos de bruxos e necromantes. Sua boa reputação vinha principalmente do fato dele sempre cumprir seus contratos e de jamais aceitar um trabalho que considerasse desonroso.

Após um extremamente raro alinhamento estelar, o mundo de Elgalor se conectou por meros instantes com Reinos Esquecidos de um plano distante. Contudo, esse momento, que durou uma fração de segundo, foi o bastante para que uma divindade maligna chamada Cyric enviasse a Elgalor um de seus avatares. O plano de Cyric era conseguir um misterioso artefato em posse dos Elfos de Prata, e também consolidar um culto de poder em Elgalor. Sendo bem-sucedido nas duas contendas, ele pretendia reunir poder o bastante para reclamar o posto de deus da Morte novamente em seu mundo, e também destruir Nerull, o deus da Morte de Elgalor, se tornando assim a divindade suprema da morte. No entanto, percebendo que Cryic enviara seu avatar a Elgalor, o deus Kelemvor, que detinha o domínio da Morte no mundo onde ele e Cyric eram divindades, enviou seu avatar para conter os danos que seu inimigo poderia causar.

Durante uma missão de rotina, Siegfried e sua companhia escoltaram dois Purificadores (monges sagrados de Loregard) em uma ruína recém descoberta, da qual jorravam poderosas energias necromânticas. Após lutarem com uma horda de mortos-vivos, Siegfried, seus guerreiros  os dois monges se depararam com o avatar de Cyric e uma dezena de cultistas. O poder do avatar evidentemente era muito mais do que os heróis poderiam enfrentar, e mesmo lutando bravamente, em poucos minutos praticamente todos estavam mortos. Pouco antes do avatar de Cyric desferir o golpe final em Siegfried, o guerreiro foi salvo pelo avatar de Kelemvor, que surgiu no local. A presença dos dois avatares divinos, no entanto, atraiu a atenção e fúria de Nerull. O deus da Morte imediatamente materializou no local seus Nove Espectros, e uma nova batalha ocorreu. Percebendo que desta vez havia uma chance real de ser destruído, o avatar de Cyric fugiu, deixando seus seguidores para trás. O avatar de Kelemvor, percebendo a situação, também se retirou, mas levou Siegfried, o único sobrevivente, consigo.

O avatar de Kelemvor explicou a gravidade da situação à Siegfried, e o enviou para uma missão em Sírhion, o reino dos Elfos de Prata, para proteger um artefato chamado Tomo das Revelações, para que o mesmo não caísse nas mãos do avatar de Cyric. O avatar de Kelemvor explicou ainda que precisaria ficar em constante movimento, porque sabia que estava sendo rastreado pelos Espectros de Nerull. Sem muita escolha e com o forte desejo de vingar a morte de seus companheiros, Siegfired partiu, e se uniu a um outro grupo de aventureiros, composto pela barda Astreya, o monge Oyama, o mago Aramil, a bárbara Bulma e o clérigo Hargor. Após conseguirem um barco, partiram para a ilha de Sírhion.

Ao chegar em Sírhion, Siegfried e os aventureiros alertaram o Bremen Bhael, Rei Sacerdote dos Elfos de Prata. O sábio rei preparou um selamento poderoso que impediria que o Tomo fosse aberto e pediu que o grupo, junto de Coran Bhael, o príncipe e comandante do exército de Sírhion, fossem até o Templo de Prata para garantir a segurança do Tomo das Revelações e selá-lo permanentemente. Siegfried e o grupo foram bem sucedidos, mas quando retornaram, viram a capital do reino em chamas, cercada por demônios. Todos lutaram como verdadeiras lendas, e a muito custo, conseguiram repelir a invasão junto da guarda de honra do rei e os soldados remanescentes. Infelizmente, descobriram que o avatar de Cyric havia se infiltrado no barco, disfarçado como um marinheiro, e matado o Bremen Bhael, o rei élfico, tentando encontrar o artefato, já que não sabia sobre a missão conferida aos aventureiros e presumia que o artefato estivesse em posse do rei. Segundo relatos, pouco após o confronto, nove espectros aterrorizantes apareceram e mataram todos em seu caminho na tentativa de aniquilar o avatar de Cyric, que, novamente, conseguira fugir.

Após o rito fúnebre do rei Bremen e a triste coroação do novo rei de Sirhion, Siegfried e seus companheiros receberam uma mensagem do avatar de Kelemvor, que revelou uma pista sobre o paradeiro de um artefato capaz de banir definitivamente o avatar de Cyric. O rei Coran Bhael providenciou os meios para que o grupo conseguisse chegar rapidamente a seu destino, se desculpando por não poder acompanhá-los devido a suas novas e pesadas responsabilidades.

Quando o grupo chegou a seu destino, encontraram uma cabala de cultistas de Cyric, e logo iniciaram combate. Infelizmente, pouco depois disso foram surpreendidos pelo líder dos Espectros de Nerull, o ser chamado “Servo da Morte”, que foi trazido até o local rastreando o poder de Cyric que os cultistas do deus manipulavam. Utilizando um poderoso Círculo da Morte, o espectro matou todos no recinto. Neste momento, o avatar de Kelemvor fez sua última aparição, e Sigfried, firmou seu último contrato.

O avatar de Kelemvor “segurou” a alma de Siegfried e explicou que apesar da morte ser algo natural, a situação que gerou a passagem de Sigfried, seus antigos companheiros e os atuais eram circunstâncias aberrantes, e por isso, seria possível reverter a situação uma única vez, e assim ele o faria. Com o que restasse do seu poder, ele destruiria o Servo da Morte, abrindo caminho para os aventureiros conseguirem o artefato. Contudo, o avatar de Kelemvor alertou que mesmo que os aventureiros conseguissem banir o avatar de Cyric, ele já havia criado uma cabala de seguidores que iria fortalecê-lo cada vez mais com o passar dos anos. Além disso, os Espectros e outros servos de Nerull continuariam matando todos que encontrassem na tentativa de eliminar quaisquer criaturas que usassem o poder conferido pelo avatar de Cyric. Dito isso, o avatar de Kelemvor deu a Siegfried uma escolha: Voltar com seus companheiros atuais, tentar cumprir a missão ao lado deles e seguir com sua vida normalmente ou receber uma nova vida e novos poderes, condicionados à missão de caçar e exterminar todos os seguidores de Cyric em Elgalor, de modo a evitar tanto o mal que eles causariam quanto os ataques mortais dos servos de Nerull que invariavelmente acabariam matando inocentes. A partir do momento em que não houvesse mais nenhum bruxo em Elgalor utilizando os poderes conferidos por Cyric, Siegfried receberia a paz do descanso eterno.

Siegfried, sem hesitar, escolheu a segunda opção. Com um gesto, o avatar de Kelemvor ressuscitou os heróis que caíram perante o Servo da Morte, e assumindo a forma de Siegfried, cravou sua espada na criatura, de modo que ambos desapareceram em um lampejo de luz. Nesse gesto, o avatar de Kelemvor fora destruído. Os heróis, por sua vez, entenderam aquilo como o último sacrifício de Siegfried, e em honra ao nobre guerreiro, conseguiram encontrar o artefato e juraram banir o avatar de Cyric.

Com a ajuda de Coran Bhael e seus paladinos, o grupo de aventureiros encontrou e de fato baniu o avatar de Cyric, colocando um fim à crise. Sete dias depois, Siegfried retornou ao plano material, mas daquele momento em diante, passou a vagar sempre com o elmo fechado, e quando perguntavam seu nome, ele apenas respondia que era o "Cavaleiro da Ordem Eterna". Com o passar dos anos, ele caçou e destruiu diversos bruxos e cultistas de Cyric, conhecidos como a "Cabala Sombria", e sempre que pôde, anonimamente emprestou sua espada à causa da justiça. O fato de seus feitos jamais serem reconhecidos, ou a constatação de que ele nunca teria um "final feliz" não o perturbavam. Ele sempre fora um homem que viveu em função do dever, e saber que ele estava cumprindo sua missão e que muitos viveriam e cresceriam livres da escuridão graças ao seu trabalho era toda a gratificação que poderia desejar.

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Heróis de Elgalor: Kirchneriel Lunaris

Kirchneriel Lunaris (Ranger, nível 06)

Raça: Elfa Silvestre

Tendência: Caótico e Bom

Kirchneriel Lunaris é a única representante viva dos elfos da floresta de Iccarion, uma pequena comunidade de elfos silvestres localizada no reino de Irengard. Os demais membros de seu povo foram violentamente mortos em uma guerra que travaram com orcs bárbaros, guerra na qual os elfos foram infelizmente derrotados. Ela cresceu em uma aldeia uma élfica de beleza etérea, de um povo mágico e selvagem que vivia afastado da civilização e tinha como destino proteger as águas e florestas de Iccarion. Em uma noite de lua cheia, logo após o seu nascimento, quando abriu seus olhos pela primeira vez, Kirchneriel recebeu seu nome em homenagem as belas e verdes águas correntes de Iccarion, já o seu sobrenome se refere a bela lua cheia que iluminava as florestas daquele dia.

Quando o ancião da sua aldeia a viu pela primeira vez, previu que ela teria um destino determinante para a sobrevivência das florestas de Iccarion. Dessa forma, ela foi treinada desde muito jovem a manusear arcos e espadas, teve a sua capacidade de investigação e furtividade aguçadas pela exaustiva carga de treinamentos que recebeu. Quando menos esperava, todos esses ensinamentos foram colocados em prática durante a guerra que assolou a sua aldeia. Somente graças ao treinamento recebido, Kirchneriel sobreviveu. Quando percebeu que era a única sobrevivente de seu povo e que Iccarion estava nas mãos dos orcs, ela partiu, mas passou a destinar suas forças a punir os seres que violentaram seus similares e a natureza da sua terra natal. Um dia, ela retornaria, e nesse meio tempo, exterminaria a maior quantidade de orcs que conseguisse.

Observação: Kirchneriel foi a primeira personagem de uma jogadora iniciante, e a história foi escrita por ela própria. Interessante observarmos que com um pouco de incentivo e orientação, mesmo jogadores estreantes podem criar bons personagens.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Heróis de Elgalor: Aurora de Pietrus

Aurora de Pietrus (Clériga, nível 06)

Raça: Aasimar

Tendência: Neutro Bom

Aurora cresceu no monastério de Elcina, um templo de dimensões modestas localizado na encosta de uma montanha. Os locais acreditam que Elcina é um local abençoado por Pelor; conta-se que, mesmo quando chove no vilarejo, o sol sempre brilha por lá, vencendo as nuvens e o cinza.

Aurora foi trazida ainda muito nova para o local, com cerca de dois anos de idade. Não se sabe quem são/foram seus pais, mas ela foi salva do sacrifício por um grupo de cavaleiros que interrompeu um culto de demonologistas. Acreditando que ela precisava de proteção, um dos cavaleiros a levou até Elcina para uma benção e para que o velho sacerdote chefe de lá, Pietrus, tentasse encontrar pais adotivos para a criança; porém, a afinidade dela com o clérigo foi imediata, e ele a batizou Aurora. A pequena foi deixada sob os cuidados dos clérigos, clérigas e noviços do templo, mas era atrás de Pietrus que Aurora andava o dia todo. Com o passar dos meses, todos começaram a chamá-la de Aurora “de Pietrus”, e assim a garota ficou conhecida.

Aurora era constantemente assombrada por pesadelos que terminavam com um anjo de asas douradas e cabelos avermelhados dizendo a ela que não temesse, o sol e a luz estavam chegando. Ao despertar, Aurora enxergava os primeiros raios de sol entrando pela janela. Pietrus ouvia seus relatos chorosos com paciência e compreensão, e ensinava a ela os preceitos de Pelor, ao mesmo tempo em que a instruía no cultivo de ervas, frutas e plantas medicinais. Com o tempo, Pietrus percebeu que tudo o que explicava, Aurora parecia compreender rapidamente, e sentiu que havia uma conexão intensa da menina com a luz do sol – ela adorava ficar fora do templo, no pátio, comtemplando as coisas que o astro iluminava, e parecia se sentir um pouco reclusa e retraída à noite. Com sete anos, Aurora manifestou, pela primeira vez, um poder de cura, quando tomou nas mãos um passarinho ferido na asa e fê-lo voar em segundos. Isso não se repetiu tão cedo, mas Pietrus percebeu que tinha, em Aurora, uma jovem com uma conexão forte com Pelor, que independia do estudo e dedicação que os clérigos costumavam empreender.

De fato, Aurora tinha alguma dificuldade com a vida mais regrada de uma noviça; não é que não quisesse estudar ou se dedicar, mas o sol a chamava lá fora, e era debaixo dele que procurava por Pelor; uma vez, aos doze anos, a menina passou horas vagando no verão, e foi encontrada longe do Templo, desorientada e com insolação. Pietrus, preocupado, mas sempre benevolente, tratou de sua protegida e lhe deu uma lição que nunca foi esquecida: qualquer obsessão, mesmo que pela luz de Pelor, pode nos fazer mal. O sol não deve ser encarado diretamente; devemos olhar para o que ele ilumina, nos preocupando com o mundo real em que vivemos. 

Aurora aprendeu muito em Elcina e descobriu-se bastante devota, mas nunca conseguiu se considerar clériga por não ter se dedicado ao ofício como seus irmãos e irmãs; ainda assim, Pietrus a chamava de noviça e a tratava com tal. Aos dezesseis anos, Aurora parou de ter pesadelos. Porém, eles retornaram da pior forma possível: quando tinha vinte anos, Aurora teve um pesadelo muito vívido com um demônio avermelhado. O mesmo anjo de antes apareceu para ela e disse que a luz do sol estava vindo, que o escuro se dissolveria e que tudo ficaria bem. Naquela manhã, seu amado mestre Pietrus foi encontrado morto em seu quarto. Como ele tinha uma idade avançada, todos consideraram que ele partiu naturalmente, mas, em seu coração, Aurora sabia que algo havia acontecido.

Em busca de respostas sobre a morte de seu mentor, Aurora partiu de Elcina, prometendo que honraria tudo o que Pietrus havia lhe ensinado – inclusive, e principalmente, o sábio conselho sobre olhar para o mundo que Pelor ilumina, sem se deixar cegar pela obsessão (ou pela dor da perda). 

Aurora é uma jovem de baixa estatura, magra, de cabelos castanho-dourados e olhos cor de mel escuro. No início da aventura, estará usando um manto e um véu pretos, em sinal de luto. Carrega o medalhão de Pelor de seu antigo mestre por debaixo das vestes."  

Heróis de Elgalor: Elenna Aldalen

Elenna Aldalen
(Ladina, nível 13)
Raça: Elfa 
Tendência: Caótico Bom

Elenna é uma elfa ladina nascida na floresta de Sindhar, lar dos altos-elfos de Elgalor e principal bastião de poder da raça no continente. Perdeu os pais ainda jovem, na mesma guerra que tomou a vida do filho do rei Thingol de Sindhar, tendo sido acolhida por seu tio, o capitão Bheleg Aldalen, que, apesar de ter sido um bom guardião para ela, estava constantemente ocupado com assuntos do reino. Contudo, isso fez com que Elenna ficasse mais próxima do palácio; desta proximidade nasceu sua amizade com a princesa Meliann, filha de Thingol, já que compartilhavam, alem da idade, a dor de uma perda precoce.

Elenna cresceu com o coração bondoso, mas fechado. Ela se ressentia dos humanos assim como todos os habitantes de Sindhar, mas não conseguia sentir-se confortável vivendo no isolacionismo. Seu tio, reconhecendo sua personalidade inquieta, encaminhou-a para treinar com os ladinos do reino, que tinham como principal objetivo encontrar e recuperar artefatos élficos perdidos em Elgalor, em especial aqueles que estivessem sendo utilizados para fins maléficos. Assim, quando estivesse pronta, Elenna poderia partir em missões similares – no entanto, sua relativa imaturidade de habilidades e sua idade tenra para os padrões élficos não permitiam que ela saísse de Sindhar com muito freqüência ou para locais muito distantes, o que a deixava ainda mais inquieta.

Elenna sempre esteve convicta de que pouco poderia fazer por seu reino mantendo-se segura em seus domínios, mas ao mesmo tempo tinha medo de abandoná-lo, e guardava grande ressentimento em relação aos humanos, por esses terem, quase que diretamente, causado a morte de seus pais na guerra na qual o príncipe de Sindhar tombara graças a uma traição feita por tal povo. Não partilhava, no entanto, da mesma melancolia e resignação tranqüila que a princesa Meliann possuía; tinha dentro de si uma inquietação que não conseguia explicar, e que os dias em sua floresta, por mais que ela a amasse, não conseguiam aplacar.

Quando o mal bateu à porta de seu reino na forma de um grande general orc, ela sabia que deveria agir, mas foi mantida em segurança em Sindhar por ordem de seus superiores. Foi nesse dia que ela viu lutar nas portas de seu reino os heróis de Elgalor, um grupo composto por meio-elfos, humanos, um anão e uma meio-orc, enquanto seus irmãos atiravam flechas a uma distância segura a mando do Conselho de Magos, e preocupavam-se com a segurança de seu reino em primeiro lugar. Elenna não admitiu para nenhum de seus companheiros, mas naquele dia, sentiu pela primeira vez vergonha da postura de Sindhar, coisa que nunca havia acontecido.

Anos depois, Elenna foi mandada pela primeira vez em uma missão na Floresta de Ythil, longe de seu lar, para investigar um templo élfico em ruínas que havia sido invadido, e então teve sua oportunidade de, finalmente, conhecer o mundo além de Sindhar e ajudar o seu reino de forma mais prática. E dentro de seu coração, ainda outro objetivo jaz secreto: conhecer, finalmente, a realidade do mundo que a cerca e o caráter dos inúmeros indivíduos de outras raças que, se são capazes de grande vilanias, também parecem erguer-se como grandes heróis e expulsar o mal que nem mesmo o seu reino pode apaziguar.

Herois de Elgalor: Boris Puddlefoot

Boris Puddlefoot (Favored Soul, nível 08)

Raça: Halfling
Tendência: Neutro e Bom

 Os deuses de Celéstia sempre foram bastante zelosos em seu auxílio às forças da luz no combate contra o mal. Heironeous e Bahamut ensinando e preparando campeões da justiça e Moradin forjando armas e armaduras feitas especialmente para destruir as criaturas vis que ameaçam seu povo. Yondalla, a Mãe dos Halflings também se comprometeu com essa missão, mas de forma diferente.

Uma vez por geração, Yondalla abençoa um halfling. Quanto mais puro é seu coração, com mais força a benção é conferida. Este halfling especial é conhecido pelos elfos como o “Filho da Luz”, uma alma de grande pureza e humildade que, mesmo sem a intenção ou pretensão, leva luz aos locais mais escuros, e inspira as pessoas a serem a melhor versão de si mesmas. Nos tempos atuais, o halfling agraciado com essa benção é o pequeno Boris Puddlefoot, um simples fazendeiro e cuidador de animais. Boris não tem aptidão alguma para o combate, artes arcanas ou mesmo a finesse necessária para se destacar no ofício de ladino. No entanto, os registros da biblioteca de Bahamut contam que jamais houve um Filho da Luz tão poderoso quanto ele.

Como é comum quando se lida com Filhos da Luz, Boris não decidiu se aventurar por conta própria. Por acaso (para os que acreditam nisso) ou destino, ele estava cuidando de um pônei doente em um pequeno vilarejo por onde um grupo de aventureiros estava passando. Eles precisavam de um guia para chegar em um local específico na região, Boris conhecia o caminho e se dispôs a ajuda-los. Deste dia em diante, o destino dele esteve ligado ao dos aventureiros, e eles, pouco a pouco, desenvolveram grande afeto pelo humilde fazendeiro.

Em situações de combate, como alguns brincam, Boris além de nada ajudar, até atrapalhava, porque é um “camponês a se proteger no meio da carnificina”. A situação é ainda mais grave porque em momentos de perigo, Boris tenta se colocar na frente para que seus amigos não sejam feridos (esse fato por si já gerou situações bastante cômicas). No entanto, todos relevam esses problemas com muita satisfação, por gostar da personalidade afável, humilde e sensata do halfling. Em momentos de descanso, Boris sempre prepara as refeições do grupo, e em sua simplicidade, acaba ajudando todos a resolverem seus mais internos conflitos. Uma coisa interessante que seus companheiros percebem é que Boris é incapaz de sentir medo. Sua mente é tão pura que ele acredita inconscientemente que, no fim, tudo ficará bem, bastando apenas que cada um faça sua parte.

Também como seus companheiros perceberam, Boris não tem controle algum sobre seus poderes. É como se eles surgissem conforme a necessidade. Houve ocasiões em que Boris quase foi espancado por apenas um único goblin, mas que, ao final do mesmo dia, quando o grupo encontrou uma hora de mortos vivos, Boris simplesmente espirrou e uma onda de choque dourada destruiu todos eles. Em outras situações, diabos e demônios simplesmente não conseguiam se aproximar do grupo apenas por conta da presença do halfling. E quando extraplanares mais poderosos conseguiam chegar perto, ao tocar no halfling ou eles eram teletransportados de volta a seu plano de origem ou sentiam uma dor excruciante. Mas não importa o quão incrível ou fantástica fosse a demonstração de poder, Boris sempre terminava agradecendo seus companheiros com admiração, e perguntando como eles haviam feito aquilo. Em certas ocasiões, o toque de Boris foi também capaz de ressuscitar os mortos, remover maldições e recuperar membros perdidos.

Independente de quão poderoso Boris seja quando a situação pede, para o halfling, seu maior valor está em preparar as refeições do grupo e em ouvir seus amigos quando eles precisam falar. Ele realmente que os feitos extraordinários que acontecem a sua volta são obra de Yondalla ou dos Deuses da Luz, que estão, generosamente, atendendo a suas orações noturnas quando ele pede pela segurança de seus amigos, que são “heróis incríveis em uma missão valorosa”.

Talvez, o mais interessante nisso tudo seja o fato de que os aventureiros que acompanham Boris não o fazem para se aproveitar dos poderes do halfling, e nem simplesmente por achar que alguém tão valioso precise ser protegido. Eles o fazem porque, sempre que vislumbram o pequeno halfling, lembram-se de que há luz no mundo, e que vale à pena lutar com todas as forças por ela.

Heróis de Elgalor: Arkelon Tharmalos

Arkelon Tharmalos (Paladino, nível 06)
Raça: Dragonborn
Tendência: Leal e Bom

Há muito tempo, um dragão vermelho fundou o reino insular de Argonia. Embora extremamente longevo, o dragão veio a falecer, e seus herdeiros, dragonborn, continuaram governando a ilha. Eram um povo belicoso e cruel. Duque Vaevictus é um destes descendentes. Mas ele sonha conseguir virar novamente um dragão inteiro, e não uma versão fraca e corrompida de um deles, que é como ele enxerga sua raça. Para isso ele se aliou à Ashnod, uma feiticeira e profetisa meio-elfa, que usa seus experimentos de transmutação para atingir o desejo do duque, e seu próprio, já que ela também se enxerga como incompleta. Arkelon é o primogênito do Duque Vaevictus, descendente do dragão vermelho.

Ele foi criado nos moldes de seu povo. Em uma de suas campanhas de conquista, Vaevictus adquiriu uma lâmpada mágica de um djinn, Abazood, que se tornou servo do duque. Parte das obrigações de Abazood era ser tutor para Arkelon. Com o passar dos anos, Abazood foi ensinando Arkelon sobre os caminhos dos djinn e, à sua maneira, tentando fazer o jovem enxergar os erros do caminho de seu pai e seu povo.

Uma das ferramentas que ele usou para isso era a Estrela de Sha’ir, um conjunto de ensinamentos secretos dos djinn. Abazood veio a se tornar mais pai para Arkelon do que o Duque, e o rapaz ansiava por libertar seu tutor da servidão eterna que seria seu destino sob os desígnios do Duque e da Feiticeira. Um plano foi elaborado, preparativos feitos, mas na hora derradeira, enquanto Arkelon estava libertando Abazood e preparando para fugir, a armadilha foi revelada: Ashnod havia descoberto os planos de Abazood e Arkelon.

 Na luta que se seguiu, Abazood foi morto, e com seu último suspiro e o sangue que se esvaía entre suas mãos, ele conseguiu conjurar uma magia que arremessou Arkelon para longe, muito muito longe, onde ele se encontra em uma terra desconhecida onde as estrelas são todas estranhas. Com isto ele jurou se vingar de seu pai, o Duque e da maldita feiticeira, mas enquanto ele não os encontra, ele se contenta em se vingar de todos os tiranos cruéis que encontrar pelo caminho.

Heróis de Elgalor: Mikael, o Servo

Mikael, o Servo (Clérigo, nível 08)
Raça: Aasimar
Tendência: Leal e Bom

Mikael era um órfão de guerra que cresceu no orfanato na cidade de Alância. Como o orfanato era mantido pelo templo de Heironeous, ele, assim como todas as crianças dali, aprendeu a ler e escrever com os sacerdotes, e se acostumou desde cedo ao credo e valores da igreja de Heironeous, o deus da Justiça, Ordem e Dever. Aos 15 anos, Mikael começou a treinar para ser um soldado, e em retribuição pelo o que os clérigos e sacerdotes fizeram por ele e seus amigos, se ofereceu para atuar como guarda no Templo de Heironeous.

Pouco menos de um ano depois, o templo foi atacado por seguidores do deus Hextor, inimigo jurado de Heironeous. Com muito custo, os seguidores de Heironeous repeliram o ataque, mas Mikael fora mortalmente ferido no combate. Apesar dos clérigos terem salvo sua vida, sua coluna havia sido quebrada por um golpe de marreta, e isso o deixou paralítico, causando um forte trauma inicial.

A fé de Mikael, no entanto, o ajudou a manter a calma e também a esperança. “Sou grato aos clérigos e a Heironeous por terem salvo minha vida, e sei que no fim, tudo será conforme a vontade de Heironeous”, pensava o rapaz. Como um dos dogmas mais fortes de Heironeous é o de que a salvação é alcançada pelo serviço a uma causa justa, Mikael pediu para continuar trabalhando no templo de alguma forma. Os sacerdotes e clérigos aceitaram, e o colocaram para ajudar na preservação das Escrituras Sagradas, junto aos escribas do templo.

Neste trabalho, Mikael aprofundou muito seus estudos sobre a teologia de Heironeous, e aprendeu, com velocidade espantosa, a falar, ler e escrever no idioma celestial. Um ano havia se passado, e Mikael, agora com 17 anos, já ajudava os sacerdotes a ministrar ritos e a orientar pessoas, mesmo com sua limitação física. No ano seguinte, na véspera de seu aniversário, Mikael teve um sonho com uma bela jovem segurando nas mãos um cálice de prata. Ele acordou atônito e, por reflexo, saltou, percebendo assim que conseguia ficar de pé. Seu corpo estava mais rígido do que ele se lembrava, mas sua coluna estava curada. Mais do que isso, ele sentia o poder de Heironeous percorrendo seu corpo e espírito, e notou que se sentia mais próximo do deus do que jamais sentira em sua vida.

Ao amanhecer, contou seu sonho para seus superiores, que consideraram a cura e os sinais não apenas como uma Revelação Divina, mas um pequeno milagre. Apesar de não ser necessário, explicaram que a jovem e o cálice remetiam claramente à maior filha de Heironeous, raptada por Hextor, e à  Ordem do Cálice, umas das mais sagradas ordens a serviço do Invencível. Assim, Mikael agradeceu por tudo o que foi feito por ele, desde a infância, e na mesma manhã, se alistou na ordem, cuja sede operava também em Alância. Pelos próximos quatro anos, Mikael passou por um rigoroso treinamento, tanto físico quanto espiritual. A lesão em sua coluna não estava completamente curada. Ele se movia mais lentamente do que outros combatentes, e ocasionalmente, sentia fortes dores na região. Mas isso, apesar de impor certa limitação física, fortaleceu sua resolução, fé e caráter. Durante esse período e pelos anos seguintes, ele participou de diversas missões na região, protegendo inocentes, levando a palavra de Heironeous e combatendo as forças das trevas. Aos 28 anos, ele recebeu o título de capitão na ordem, e passou a viajar pelos reinos junto de um pequeno grupo que instruiria nos caminhos de Heironeous, se dedicando principalmente ao Dever para com as Pessoas, outro importante dogma do deus. Daquele dia em diante, passou a se autodenominar Mikael, o Servo.

Hoje, com 33 anos de idade, Mikael teve uma segunda Revelação Divina. Em seu sonho, ele viu catacumbas escuras, que pareciam descer até o Abismo. Nele, matriarcas de poderosas Casas formavam alianças com criaturas que liberariam um mal inimaginável no mundo. E no centro de tudo, viu novamente a jovem segurando um cálice de prata nas mãos Ciente de que seus subordinados não estavam prontos para isso, na manhã seguinte solicitou que retornassem a Alância e informassem o Grão-Mestre da ordem. Após a oração matinal, se despediu de seus discípulos e rumou em direção ao seu destino.

CURIOSIDADE: Este personagem foi criado como um NPC menor no cenário, há muitos anos. No entanto, feitas algumas pequenas adaptações, se tornou meu personagem jogador em uma aventura de Forgotten Realms mestrada por meu cunhado.